Neste sábado, a política brasileira testemunhou a eleição de novos líderes para a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito presidente da Câmara dos Deputados com 444 votos, enquanto Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) reassumiu a presidência do Senado com 73 votos. Ambos chegam ao comando do Congresso Nacional prometendo estabilidade política e negociações entre diferentes forças políticas. Mas o que realmente significa para a direita conservadora essa nova composição de poder?
ALCOLUMBRE NO SENADO: UM JOGO POLÍTICO AMBÍGUO
Davi Alcolumbre, que já presidiu o Senado entre 2019 e 2021, retorna ao comando da Casa com uma vitória expressiva. Sua candidatura foi apoiada por um amplo espectro de partidos, incluindo o PL de Jair Bolsonaro e o PT de Lula. Isso demonstra o pragmatismo da direita institucional, que, ao garantir espaços estratégicos, busca manter influência em pautas essenciais.
Entre os senadores que concorreram contra Alcolumbre estavam Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE), ambos identificados com a ala mais conservadora do Senado. Suas candidaturas foram uma tentativa de impedir que o Senado permanecesse sob o controle do establishment, mas os resultados indicam que a articulação política de Alcolumbre foi mais eficaz.
O PL conseguiu garantir posições estratégicas nas comissões mais relevantes:
Comissão de Infraestrutura: Marcos Rogério (PL-RO)
Comissão de Segurança Pública: Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Esses postos são essenciais para que o partido tenha voz ativa na fiscalização do governo e na formulação de políticas voltadas à segurança pública e desenvolvimento nacional. O desafio da oposição será utilizar essas comissões para pressionar o governo e garantir que pautas conservadoras não sejam ignoradas.
HUGO MOTTA NA CÂMARA: CONTINUIDADE E INCÓGNITAS
Hugo Motta, sucessor de Arthur Lira, assume o comando da Câmara dos Deputados com um apoio massivo de partidos de centro, esquerda e direita. Motta disputou a eleição com Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ), que obtiveram 31 e 22 votos, respectivamente. Sua eleição representa um Congresso mais alinhado às negociações e acordos internos do que a um enfrentamento direto com o Executivo ou com o STF.
A nova Mesa Diretora da Câmara inclui figuras influentes de diferentes espectros políticos:
1º Vice-presidente: Altineu Côrtes (PL-RJ)
2º Vice-presidente: Elmar Nascimento (União-BA)
1º Secretário: Carlos Veras (PT-PE)
2º Secretário: Lula da Fonte (PP-PE)
3ª Secretária: Delegada Katarina (PSD-SE)
4º Secretário: Sérgio Souza (MDB-PR)
A composição reforça a necessidade de articulação política constante. O PL, apesar de integrar a Mesa, precisa lidar com a presença do PT e de outros partidos do centrão em postos-chave, o que pode enfraquecer a pauta conservadora caso a direita não consiga pautar temas fundamentais, como a CPI do Abuso de Autoridade do STF.
Além disso, um dos principais desafios será a tramitação da anistia aos presos de 8 de janeiro de 2023. A pauta, que divide opiniões dentro da Câmara, dependerá da habilidade de Motta em garantir que o tema seja debatido e votado de forma justa.
O FUTURO DA DIREITA NO CONGRESSO
Apesar de algumas concessões à esquerda e ao centro, a direita conservadora conseguiu preservar influência nas duas Casas. No entanto, o cenário político exige vigilância e articulação constante.
As principais pautas a serem acompanhadas nos próximos meses incluem:
Anistia aos presos de 8 de janeiro: Oposição promete pressionar para que a pauta seja levada ao plenário.
Reformas no STF: O impeachment de ministros e a CPI do Abuso de Autoridade continuam sendo demandas de setores conservadores.
Controle sobre emendas parlamentares: Disputa entre Executivo e Legislativo sobre a destinação de recursos.
Fim do foro privilegiado: Uma pauta que pode ganhar força no novo Congresso.
A direita conservadora, se quiser manter sua relevância, precisará de unidade e estratégia para garantir que suas demandas sejam ouvidas e respeitadas.
A PALAVRA DA VEZ É PRAGMATISMO
A eleição de Davi Alcolumbre e Hugo Motta mostra que a política brasileira segue dominada por negociações e pragmatismo. Enquanto o PL e outros partidos de direita conseguiram manter espaço nas principais comissões e na Mesa Diretora, a luta pelos valores conservadores ainda precisa de mobilização e articulação eficiente. O grande teste virá nos próximos meses, quando veremos se esses novos líderes do Congresso permitirão que temas fundamentais para a direita avancem ou se sucumbirão à pressão do governo e do Judiciário.
















